quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Fascinação

Quando o médium começa "receber” espíritos respeitáveis em quaisquer lugar, a qualquer hora, sem nenhuma justificativa, está auto-fascinado, por si mesmo, pela sua mediunidade e sob o comando de entidades que o querem levar ao ridículo.

Seria o mesmo que eu agora entrar em transe e receber um espírito. Para que esse exibicionismo desnecessário?
Os espíritos bons têm as suas ocupações e não podem estar como capatazes, ao nosso lado governando os servidores. Daí a fascinação é perigosa porque o médium fascinado não se dá conta.
Tudo que ele faz é melhor do que os outros poderiam fazer... é diferente dos outros... é superior... Se toca em algum lugar aquele lugar reluz... Então a fascinação é um grande escolho à mediunidade.
Quando encontrarmos a pessoa nessa fase é um ato de caridade dizer-lhe que volte a ler o capítulo 23 de "O Livro dos Médiuns". Dizer-lhe que é uma coisa natural que todos nós passamos, basta que mudemos de humor para que atraiamos espíritos equivalentes.
Eu me recordo que havia psicografado e publicado o livro “Messe de Amor”. Este livro foi traduzido ao Espanhol em 1965 por Juan Durant. E ele me mandou o livro pedindo que Joanna de Ângelis desse o prefácio. Eu então pedi a ela em uma das nossas reuniões mediúnicas. Nessa mesma reunião em desdobramento, e ao lado dos espíritos, acompanhando a reunião, ela disse-me que não iria escrever o prefácio e que tinha convidado o nobre espírito Amália Domingos Soller para que ela prefaciasse a obra. Convidou-me então a recebê-la à porta. Chegando lá, observei que uma claridade oscilante aproximava-se, como se alguém viesse carregando uma lanterna, que a luz avançava e retrocedia. Então subitamente apareceu-me um espírito de uma beleza incomum. Trajava-se à espanhola do século dezessete. Aproximou-se e nesse momento, Joanna disse-lhe: - "Veneranda amiga, gostaria de lhe apresentar o médium através do qual a senhora vai escrever". Ela estendeu-me a mão e eu curvei-me para beijá-la. Entramos os três e vi que ela dobrou-se sobre o meu corpo, tomou-me o braço e começou a escrever. Do meu braço saiam fluidos luminíferos e a medida que ela escrevia, o papel ficava com miríades de pequeninas estrelas,a ponta do lápis parecia portadora de energia estranha, que não obstante escrever com um lápis Faber número 1, a letra era prateada. Ao terminar, despediu-se e fomos levá-la até a porta. Terminada a reunião, voltei ao normal e fui ler a mensagem. Ela escreveu em espanhol. Fiquei tão comovido naquela noite que voltei-me para Joanna e disse-lhe: - Eu já posso "receber" Amália Domingos Soller!? Ela então respondeu-me: - "Não pode não senhor! Ela veio por misericórdia... Portanto não aguarde uma volta tão cedo!
Por enquanto você vai ficar mesmo é com os sofredores do seu tipo para baixo, o que já é uma grande coisa. Já é merecimento sintonizar com eles...".Assim Joana tirou a minha presunção antes de começar. Ela cortou logo. Toda vez que uma entidade generosa vinha e vem escrever, Joana pede-me que fale com naturalidade sobre a identidade do espírito, sem alarde. Que os outros se espantem, mas eu não. Mas às vezes eu sou muito emocional e quando vejo quem é o espírito escrevendo, fico louco que ele acabe só para dizer o nome. Eles então põem um pseudônimo (nome falso) tirando toda minha galanteria.”

Atendimento fraterno e a subjugação

"A subjugação é uma constrição que paralisa a vontade daquele que a sofre e o faz agir a seu mau grado. Numa palavra: o paciente fica sob um verdadeiro jugo.” (Allan Kardec, "O Livro dos Médiuns", capítulo 23, item 240).
Dentro das leis cármicas a subjugação não é expiatória (o indivíduo ter que passar pelo problema), exceto quando danifica a aparelhagem nervosa do sistema central do indivíduo. Mas se a pessoa está subjugada, o espírito subjugador pode ser orientado nas sessões especializadas, e arrependendo-se, liberta aquele que aflige e o indivíduo se recupera. Allan Kardec conta um exemplo no capítulo 23 de "O Livro dos Médiuns", onde um rapaz, toda vez que via uma moça bonita, caia de joelhos e fazia-lhes declarações de amor... Era um caso curioso de obsessão física. Eu observo em algumas das nossas reuniões, que os amigos que trabalham no atendimento fraterno - o atendimento fraterno, instituído nas casas espíritas. Esclarecido e estimulado pelo grupo que faz o Projeto Manoel Philomeno de Miranda, da cidade do Salvador, Bahia, tem como finalidade atender aqueles que se encontram problematizados e que buscam a orientação da Doutrina Espírita.
É uma equipe composta de companheiros conhecedores do Espiritismo e com experiência na área do comportamento humano - que durante a semana estiveram em contato com os sofredores, obsessos, doentes, acabam levando essas entidades para o trabalho mediúnico, providencia esta tomada pelos benfeitores espirituais. Algumas dessas entidades comunicam-se e são doutrinados. Quando eles desistem da perseguição e são conduzidos a uma estância superior, o paciente, onde estiver, fica bem, melhora, ainda mesmo em situação de subjugação.
Pessoas que me dão nomes e nós levamos para o trabalho mediúnico. Lá se apresentam os seus obsessores e são esclarecidos e as suas vítimas logo melhoram. Só que eles não vêm dizer que melhoraram. Elas virão depois quando acontecer outra vez.
Daí a subjugação pode ser eliminada.“

Escrito por - Divaldo P. Franco

Revista Cristã de Espiritismo

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Não basta recear a violência.
É preciso algo fazer para erradicá-la.
#
Indubitavelmente, as medidas de repressão, mantidas pelos dispositivos
legais do mundo, são recursos que a limitam, entretanto, nós todos, - os
espíritos encarnados e desencarnados, - com vínculos na Terra, podemos
colaborar na solução do problema.
#
Compadeçamo-nos dos irmãos envolvidos nas sombras da delinqüência, a fim
de que se nos inclinem os sentimentos para a indulgência e para a
compreensão.
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Tanto quanto puderes, não participes de boatos ou de julgamentos
precipitados, em torno de situações e pessoas.
#
Silencia ante quaisquer palavras agressivas que te forem dirigidas, onde
estejas, e segue adiante, buscando o endereço das próprias obrigações.
#
Não eleves o tom de voz, entremostrando superioridade, à frente dos
outros.
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Não te entregues à manifestações de azedume e revolta, mesmo quando
sintas, por dentro da própria alma, o gosto amargo dessa ou daquela
desilusão.
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Respeita a carência alheia e não provoques os irmãos ignorantes ou
infelizes com a exibição das disponibilidades que os Desígnios Divinos te
confiaram para determinadas aplicações louváveis e justas.
#
Ao invés de criticar, procura o lado melhor das criaturas e das
ocorrências, de modo a construíres o bem, onde estiveres.
#
Auxilia para a elevação, abençoando sempre.
#
Lembra-te: o morrão aceso é capaz de gerar incêndios calamitosos e, às
vezes, num gesto infeliz de nossa parte, pode suscitar nos outros as
piores reações de vandalismo e destruição.


Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Atenção.
Ditado pelo Espírito Emmanuel.
16a edição. Araras, SP: IDE, 1997.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Os primeiros dias de março do ano de 1984, Yvonne afirmara que não valeria a pena o trabalho de colocação de um marcapasso. Contudo, submeteu-se à cirurgia de emergência, à qual não resistiu, desencarnando.
Retornou assim, ao Mundo Espiritual, uma das mais respeitáveis médiuns do Movimento Espírita Brasileiro, Yvonne do Amaral Pereira, às 22 horas do dia 9 de março daquele ano, após um longo período de atividades na causa espírita.

Nascida na antiga Vila de Santa Tereza de Valença, atual Rio das Flores, no Sul fluminense, no dia 24 de dezembro de 1900, familiarmente, atendia pelo nome afetivo de Tuti.

Aos 5 anos de idade, não somente via, mas conversava com os espíritos. Aos 12 anos, colocaram-lhe nas mãos a obra “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, que ela passaria a ler diariamente.
Aos 13 anos, escrevia com desenvoltura e estudava sozinha, alcançando as horas da madrugada. Sua vida é uma epopéia de renúncias. Desejava estudar piano e chegou a dedilhar o teclado. Mas, a pobreza de seus pais lhe impediu o acesso aos estudos que a pudessem habilitar à prática musical.
Desejava tornar-se professora, mas por dificuldades econômicas, também não lhe foi possível freqüentar o Curso Normal, que almejava.
Lia autores nacionais e internacionais, como Bernardo Guimarães, José de Alencar, Goethe e Conan Doyle, ilustrando-se de contínuo.

Os trabalhos em prosa e verso que escreveu, sob a tutela espiritual de Roberto de Canalejas (espírito), desde os 12 anos, foram publicados na imprensa mineira, paulista e fluminense, em jornais diversos. Posteriormente, a Revista Reformador da Federação Espírita Brasileira igualmente os publicou.
Mais tarde, em período compreendido entre 1963 e 1982, Yvonne adotou o pseudônimo de Frederico Francisco e publicou notáveis escritos na mesma Revista.
Yvonne, além de médium psicofônica, psicógrafa, gozava das faculdades mediúnicas de desdobramento, materialização e de curas. Nas localidades onde viveu, sempre deu a sua contribuição nos Centros Espíritas, como bibliotecária, secretária, vice-presidente, evangelizadora, palestrante.

Durante 44 anos, subiu à tribuna espírita, em cinco das seis cidades em que residiu.
Deixou-nos 12 incomparáveis obras mediúnicas, da autoria dos Espíritos Bezerra de Menezes, Léon Tolstoi, Camilo Castelo Branco, Charles, a saber: a trilogia de romances - Nas voragens do pecado, O cavaleiro de Numiers, O drama da Bretanha, onde são retratadas as lutas redentoras de diversos personagens, sendo Yvone mesma uma delas;
Amor e Ódio - romance que narra a
vida de um ex-discípulo de Kardec, Gaston de Saint-Pierre e que dele recebeu O Livro dos Espíritos, na época em que surgiu essa obra;

Sublimação - histórias comoventes, onde o enfoque maior é o suicídio, com todas as suas implicações morais e suas conseqüências dolorosas;

Ressurreição e Vida - contos variados que se desenrolam na Rússia dos Czares, em aldeias da Itália e na Espiritualidade, com evocações inclusive da Galiléia dos tempos apostólicos;

A tragédia de Santa Maria - romance de fatos ocorridos no Brasil, em uma fazenda de cana-de-açúcar, ao sul do Estado do Rio de Janeiro, no século XIX. Dos fatos narrados, Bezerra de Menezes, ainda encarnado, participa;

Nas telas do infinito - que comporta duas histórias, tendo como cenário a Europa e o nosso país;

Dramas da obsessão - obra que esclarece sobre a realidade dos fatos relacionados com a obsessão, em duas histórias, uma delas com participação da própria médium, na tarefa de orientação aos espíritos obsessores;

Devassando o invisível e Recordações da mediunidade - relatos das experiências mediúnicas de Yvonne, sob o amparo dos Espíritos Charles e Bezerra.

Memórias de um suicida - obra prima da literatura mediúnica no Brasil. Com suas 568 páginas, é um libelo contra o tresloucado ato do suicídio. Narra desde as tragédias que se desenvolvem no Vale dos Suicidas ao amparo maternal de Maria de Nazaré, no Hospital que traz seu nome, na Espiritualidade, tanto quanto a tarefa anônima da desobsessão nas Casas Espíritas.

No ano de 1979, nos meses de setembro a dezembro, a Revista Reformador publicou substancioso texto de Yvonne, onde ela narra algumas de suas experiências reencarnatórias, que culminam na encarnação que findou no Brasil, no ano de 1984.

A Societo Lorenz, no ano 2000, sintetizou em um livreto os quatro artigos, que chegaram a ocupar as páginas do jornal Mundo Espírita, e o publicou com o título Um caso de reencarnação - Eu e Roberto de Canalejas.
Vinte anos se passaram. Não podemos dizer: vinte anos sem Yvonne, pois que a valorosa médium deixou as paragens terrenas para prosseguir em outra dimensão a tarefa em tão boa hora iniciada.

Yvonne do Amaral Pereira deixou-nos um belo legado; obras que precisam e merecem ser divulgadas, sejamos nós os multiplicadores dessas bençãos!
Agora está em nossas mãos!!!

Informações Colhidas na Internet

domingo, 11 de novembro de 2007

Andrew Jachson Davis

Andrew Jackson Davis deve figurar entre nós como um dos maiores médiuns da sua época, não só pelos fenômenos que produzia, como também pela sua obra no campo da literatura.

Nasceu no dia 11 de agosto de 1826, nas margens do rio Hudson, nos Estados Unidos da América do Norte, e desencarnou em 1910, com a idade de 84 anos.

Jackson Davis descendia de família humilde. Sua faculdade mediúnica desabrochou quando tinha apenas 17 anos. Primeiro, desenvolveu a audiência. Ouvia vozes que lhe davam bons conselhos. Depois, surgiu a clarividência, tendo notável visão, quando sua mãe morreu. Viu ele uma belíssima região muito brilhante, que supôs fosse o lugar para onde teria ido sua mãe. Mais tarde, manifestou-se outra faculdade muito interessante e muito rara: a de ver e descrever o corpo humano, que se tornava transparente aos seus olhos espirituais. Dizia ele que cada órgão do corpo parecia claro e transparente, mas se tornava escuro quando apresentava enfermidade.

Não é de se admirar que Davis descrevesse a constituição anatômica do ser humano, pois já Hipócrates, o pai da Medicina, dizia: "A alma vê de olhos fechados as afecções sofridas pelo corpo".

Na tarde de 6 de março de 1844, deu-se, com Davis, um dos mais extraordinários fenômenos, o do transporte. Foi ele tomado por uma força estranha que o fez voar da cidade de Poughkeepsie a Catskill, cerca de quarenta milhas de distância.

Naquela época, não se sabia explicar esse fenômeno, porquanto os fatos dessa natureza ainda eram desconhecidos.

Para nós, espíritas, o papel representado por Jackson Davis é de grande importância, pois começou a preparar o terreno para os grandes acontecimentos da Terceira Revelação.

Em suas visões espirituais viu quase tudo o que Swedenborg descreveu sobre o plano espiritual (abramos aqui um parêntese para dizer que, por ocasião do seu transporte às montanhas de Catskill, identificou Galeno e Swedenborg como seus mentores espirituais).

Em seu caderno de notas, encontrou-se a seguinte passagem datada de 31 de março de 1848:

"Esta madrugada, um sopro quente passou pela minha face e ouvi uma voz, suave e forte, a dizer: irmão, um bom trabalho foi começado – olha! surgiu uma demonstração viva. Fiquei pensando o que queria dizer aquela mensagem."

Ao que parece, este aviso fazia menção aos fenômenos de Hydesville, pois foi exatamente nessa data, numa sexta-feira, que se estabeleceu o início da telegrafia espiritual, através da menina Kate Fox.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Rosas,rosas...

terça-feira, 6 de novembro de 2007

A Renovação Planetária

Chegamos a um momento da humanidade em que os valores morais e éticos gritam por socorro, a necessidade de um despertar de consciência nunca foi tão imperiosa como nesse momento.

O Brasil, como terra de culturas e crenças diversas, encontra-se numa espécie de confusão ideológica. Como uma verdadeira separação entre o “joio e o trigo”, vemos hoje avolumar-se uma grande quantidade de violência, insensatez, vícios em geral e muita falta de espiritualidade. Em contra partida, encontramos também um volume cada vez maior de pessoas buscando uma religião, atuando em serviços voluntários, meditando e preocupando-se com o seu país e com o mundo.

As menções sobre uma época de transformação são ditas desde as mais remotas religiões e seus profetas, passando por Jesus e mais recentemente na própria doutrina espírita. Muitos a consideram como o período do fim do mundo, para outros é uma grande oportunidade de vencer seus próprios obstáculos e conquistar algo que conscientemente não se sabe, mas sente que o momento é único.

Jesus preconiza uma época em que povos se levantarão contra povos, fome e pestes se alastrariam, mas não seria ainda o fim - segundo Jesus - o fim estaria próximo apenas quando a “Boa Nova” fosse ensinada para todos os povos. João através do Apocalipse nos revela uma espécie de luta entre o bem e o mau, na qual o vencedor ganhará a “Nova Jerusalém”. Os maias antigos, com o seu calendário lunar profetizam uma época de escuridão que será substituída por uma “Era de Ouro” a partir de 2012 da nossa época. Outros povos como os egípcios, sumérios e as antigas ordens esotéricas, fazem menções sobre uma época de transformações e renovação planetária.

A idéia de fim do mundo ficou marcada devido ao conceito errado envolvendo o “inferno” e a pouca compreensão da vida futura. O homem ainda presume que a matéria é o fator principal do universo e a idéia de mudanças climáticas e geológicas dá uma dimensão de sofrimento inimaginável.

Na parte final do apocalipse, João vê Jesus e seus anjos vindo juntamente com a “Nova Jerusalém” para a felicidade dos que venceram a grande batalha narrada no seu texto.

Muitos “cristãos” acreditam que a Nova Jerusalém estaria no Reino dos Céus e os vencedores seriam retirados desta terra, mas muitos esquecem que João estava em espírito, ou seja, estava fora de seu corpo, viu tudo por outro Plano. Além do mais, o próprio nome “Nova Jerusalém” pressupõe uma Jerusalém (Planeta) renovada.

Renovação planetária

Se não fosse assim, como justificar a promessa de Jesus no sermão do monte em que os pacíficos herdariam a terra e por que após a boa nova estar difundida para todos, o mundo acabaria?

A doutrina espírita, através da Gênese, codificada por Kardec, dentre tantas outras fontes, nos dá a noção exata do período que estamos passando.

Kardec nos diz no capítulo XVIII: “...Esse duplo progresso se cumpre de duas maneiras: uma lenta, gradual e insensível; a outra por mudanças mais bruscas, a cada uma das quais se opera um movimento ascensional mais rápido, que marca, por caracteres nítidos, os períodos progressivos da Humanidade. Esses movimentos, subordinados nos detalhes ao livre-arbítrio dos homens, são de alguma sorte fatais em seu conjunto, porque estão submetidos a leis, como aquelas que se operam na germinação, no crescimento e na maturidade das plantas; é por isso que o movimento progressivo, algumas vezes, é parcial, quer dizer, limitado a uma raça ou a uma nação, de outras vezes geral. O progresso da Humanidade se efetua, pois, em virtude de uma lei; ora, como todas as leis da Natureza são obra eterna da sabedoria e da presciência divina, tudo o que é efeito dessas leis é o resultado da vontade de Deus, não de uma vontade acidental e caprichosa, mas de uma vontade imutável. Quando, pois, a Humanidade está madura para vencer um degrau, pode-se dizer que os tempos marcados por Deus são chegados...”.

De forma acertada Kardec relaciona e compara a atual fase de transformação do Planeta que está subordinada a leis, ao processo de germinação e progresso de uma planta, ou seja, o amadurecimento da Humanidade. Talvez por isso Jesus afirma que o fim chegaria precedido pelo conhecimento da “Boa Nova” por todos os povos.

A nova ordem social

Ele continua dizendo: “...A fraternidade deve ser a pedra angular da nova ordem social; mas não há fraternidade real, sólida e efetiva, se ela não se apóia sobre uma base inabalável; esta base é a FÉ...”. Continua: “...Para que os homens sejam felizes sobre a Terra, é necessário que ela não seja povoada senão por bons Espíritos, encarnados e desencarnados... Tendo chegado esse tempo, uma grande imigração se cumprirá entre aqueles que a habitam; aqueles que fazem o mal pelo mal, e que o sentimento do bem não toca, não sendo mais dignos da Terra transformada, dela serão excluídos, porque lhe trariam de novo a perturbação... Eles irão expiar o seu endurecimento, uns nos mundos inferiores, os outros entre raças terrestres atrasadas... Serão substituídos por Espíritos melhores, que farão reinar, entre eles, a justiça, a paz, a fraternidade... A Terra não deve ser transformada por um cataclismo que aniquilaria subitamente uma geração, a atual desaparecerá gradualmente, e a nova lhe sucederá do mesmo modo, sem que nada seja mudado na ordem natural das coisas...” A afirmação de Jesus, de que os mansos herdarão a Terra se justifica nessa passagem do livro da Gênese. Kardec nos explica como o processo de renovação ocorrerá, de forma natural e gradual, como alias, já está acontecendo.

Kardec termina o capítulo com a seguinte advertência: “Os incrédulos rirão dessas coisas, e a tratarão por quimeras; mas digam o que disserem, eles não escaparão à lei comum; cairão a seu turno, como os outros, e, então, o que será deles? Eles dizem: Nada! Mas viverão a despeito de si mesmos, e serão, um dia, forçados a abrir os olhos.”


Ricardo Viana


Artigo publicado na Revista Cristã de Espiritismo, ed. 23.


Ao reproduzir o texto, favor citar o autor e a fonte.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Diabetis: Abordagem Espiritual


(imagem:recantodalidia)

Drº Júpiter Silveira

Na opinião do médico espírita Júpiter Silveira, a diabetes pode fazer parte da programação reencarnatória do espírito para auxiliá-lo a ter uma vida mais disciplinada.
É possível que em encarnação passada ele tenha levado uma vida muito desregrada...

Os pacientes portadores do diabete melito tipo 1 desenvolvem esta doença na infância e na adolescência, como conseqüência de um ata­que do sistema imunológico às células beta de seu pâncreas.A doença tem início abrupto, levando o paciente, na maioria dos casos, à internação hospitalar em estado de coma. Após a hospitalização, o paciente e sua família se defrontam com uma série de condutas que incluem dieta, exercícios físicos, aplicações de insulina, exames laboratoriais, testes de urina e sangue, visitas constantes ao médico, entre outras.
O paciente passa por diversas fases de entendimento e aceitação da doença, mas, após alguns anos, a maioria deles abandona as condutas preconizadas, só retornando a elas quando começam a aparecer as complicações: retinopatia, neuropatia, nefropatia etc

O estímulo para esses pacientes cumprirem as condutas propos­tas vem geralmente da pressão exercida pela família e pelo endocrinologista, isto é, a conduta lhe é imposta sem sua concordância. Como são espíritos muito inteligentes e sensíveis, mas extremamente indisciplinados, a anuência a essas condutas de­veria ocorrer como conseqüência de seu entendimento do porquê da doença e do porquê da dor.

Objetivos

Temos tentado esclarecer o paciente, através de exposições sobre programação reencarnatória, que ele aceitou e/ou solicitou a possi­bilidade do diabete como aprendizado necessário para seu espírito, levando-o à compreensão de que a causa do diabete está nas dificulda­des encontradas pelo espírito bem antes da lesão pancreática.Com o despertar que o esclarecimento lhe traz, abre-se em sua mente um campo novo de cogitações sobre a vida espiritual, sobre a imortalidade, levando-o a uma visão mais ampla da vida e desaparecen­do a visão puramente organicista. O enfoque do diabete sai do pâncre­as e vai para o espírito.Na medida em que seu entendimento se amplia e se aprofunda, o paciente se livra das pressões que lhe foram impostas e assume uma postura mais lúcida, mais equilibrada em relação a si mesmo. E isso se traduz através de uma aderência maior ao tratamento. Quantificamos essa aderência pela dosagem periódica da hemoglobina glicosilada, método hoje aceito mundialmente como o melhor para avaliar o controle do diabete.

Material e métodos

Convidamos, por ordem de chegada à clínica, dez pacientes jovens que não apresentassem complicações diabéticas secundárias, para partici­parem das exposições sobre a programação reencarnatória. Poderiam se fazer acompanhar dos pais.Perguntamos inicialmente a cada um onde estava dois anos antes de “entrar na barriga” de sua mãe. Como já comentamos, eles são jovens muito inteligentes, acostumados a dar respostas imediatamen­te. Nenhum deles soube responder, exceto um que é espírita. Insistimos com as perguntas: E há três anos? Quatro anos? Cinco anos antes de você entrar na barriga de sua mãe? Quem era você? Onde você estava?É extremamente curioso constatar que eles nunca tinham sequer cogitado sobre essa época de sua existência. Para eles também, a expe­riência é excitante. Mais tarde, eles comentam: “Eu nunca tinha pensa­do nisso. Como pode”?Gerada essa expectativa, passamos a discorrer sobre o Instituto da Reencarnação (Missionários da Luz). Informamos sobre o mundo es­piritual, as cidades espirituais, a moradia dos espíritos, a verdadeira pátria espiritual. Entre outras coisas, esclarecemos que ali eles estavam adultos, mais maduros, emancipados, podendo ver as últimas reencarnações e cogi­tar o planejamento das próximas.Observando as últimas vivências, notaram que tinham falhado pela própria indisciplina, a qual continua sendo o traço marcante negativo de suas personalidades. Também reconheciam a extrema dificuldade em trabalhar as perdas. A indisciplina os tinha levado a falhar na con­quista dos reais objetivos de uma reencarnação e o espírito, com toda sua bagagem, sente-se culpado pelo tempo perdido e pede o diabete como aprendizado, para que possa se disciplinar. Nada mais disciplinador do que o diabete melito: horário para levantar e para deitar, exercícios diários, alimentação na hora certa com as calorias certas, testes de urina, testes de sangue, aplicações de insulina várias vezes ao dia, consultas médicas. Tudo pelo resto da vida. E foi você quem pediu!

Os três projetos

No Projeto Biofísico, em conformidade com a genética dos futuros pais, são mostrados os mí­nimos detalhes físicos, como altura, cor da pele, cor dos olhos, beleza, fealdade e compleição física de seu futuro corpo, em diferentes planilhas para cada um de seus sistemas: neurológico, sistema músculo-esquelético, sistema endócrino etc. Após o mergulho no útero materno e o nascimento, os pais procu­ram dar continuidade a esse projeto, através de alimentação sadia, vitaminas, medicamentos, vacinas, esportes etc.Pelo Projeto Social, em sua programação reencarnatória também ficou sabendo sobre a família que teria, o acesso à cultura, a escolaridade, a possibilidade de cursar universidade, a profissão, as tarefas na sociedade etc. A continuida­de desse projeto geralmente é assegurada pela família, que se empenha em lhe fornecer recursos para sua educação, instrução e formação profissional, mas quase sempre sob a ótica materialista, acatando as tendências mercantilistas sem analisar as aptidões e necessidades do espírito.O Projeto Espiritual é o mais importante dos projetos, o motivo principal da reen­carnação, a oportunidade de crescimento espiritual. Por que estamos reencarnados? Para quê? Quais são os objetivos de uma reencarnação? Crescermos fortes e sadios? Atingirmos posições de destaque na sociedade? Só isso?Não. O objetivo maior é o crescimento espiritual. Desenvolvermos os projetos do espírito que estão abandonados há séculos. Crescermos em conhecimento e capacidade afetiva, vencendo as carências e defei­tos do espírito. Por exemplo, sua indisciplina. Se você se disciplinar, você vence o diabete, do contrário, o diabete vence você.A disciplina nascida de um entendimento profundo sobre suas dificuldades espirituais dará início ao processo de cura do espírito, a verdadeira cura. Nesse instante, passamos a comentar a lição evangélica da obediên­cia e resignação.

Resultados

Como já comentamos, os diabéticos tipo 1 são jovens muito inteligentes e sensíveis. Todos entendem e aceitam a proposta com muita naturalidade, ao contrário de seus acompanhantes, que geral­mente não entendem.Do grupo inicial de dez pacientes, três não puderam assistir às expo­sições por mudanças nos seus horários de trabalho e estudo. Quatro jovens desse grupo solicitaram livros espíritas para se aprofundarem no assunto.A hemoglobina glicosilada, que foi escolhida por nós como o princi­paI método de avaliação da aderência ao tratamento, mostrou sensível melhora na maioria dos pacientes. Ficou igual em um paciente e piorou em um outro (veja o gráfico).O tempo de acompanhamento do grupo foi extremamente curto, entretanto, permitiu conclusões definitivas. Com a continuidade do trabalho, é possível fazermos uma avaliação mais segura e abrangente. As exposições não tiveram a intenção de “converter” os pacientes em espíritas, mas sim informá-los sobre a vida espiritual, dando-lhes condições de buscar um novo paradigma de vida.Somente através da educação o espírito consegue despertar para sua condição de espírito milenar com responsabilidades sobre seus atos passados, abandonando dogmas e velhos conceitos e entendendo que ele é o construtor de seu futuro. Desmistificando o nascimento e a morte como o início e o fim de tudo, desperta para a imortalidade da alma e entende que as dificulda­des do corpo físico servem como um aprendizado para seu espírito, propiciadoras de crescimento e libertação.

Artigo publicado na edição 13 da Revista Cristã de Espiritismo.

Ao reproduzir o texto, favor citar o autor e a fonte.